sexta-feira, 1 de maio de 2009

quanto tempo é o amanhã?


                                             Uma Eternidade e um dia.

Sala de desjejum

sobre não tomar café da manhã como forma de não romper o estado do sonho, do sono. não acordar. adiar o começo lúcido do dia.

" ao tocar suas visões oníricas sem sombranceria, se entrega." - Walter Benjamin

"Quem está em jejum fala do sonho como se falasse de dentro do sono." - Walter Benjamin


Vale começar a dizer desde quando ano-novo tem relevância pra mim.

Foi quando passei com minha amiga e a família dela. pela primeira vez.

Foi quando fui ver fogos na praia; me surpreendi com os encontros, com os rituais na rua, com as pessoas depois dos fogos...e com os fogos.

Foi quando pulei sete ondas, joguei flor branca e meu tio me fez comer lentilha debaixo da mesa.

Fui de branco.

Adorei. Não dormi. Vi o sol nascer.

3

Cris,uma prima - que morava longe e eu adorava quando ela vinha -  disse que tudo você faz, tudo que acontece a partir da meia-noite vai se repetir o ano todo - foi no mesmo ano da lentilha.

 

Já cheguei a dar cambalhotas na mesinha de centro – quando meu irmão nasceu e ficamos só nós cinco no apartamento vendo os fogos pela globo. Ainda morava na Oswaldo Cruz...

 

Ainda lembro das viradas no deck da lagoa em São Pedro D’Aldeia...bebendo uma taça de champagne.

o tempo, o controle

A ingenuidade que eu tinha em relação ao ano-novo era a mesma do Natal: uma festa que se comemora outra coisa; um motivo externo e pouco paupável que reúne a todos que se gostam. Todos parecem felizes e contentes de estarem ali.

Depois de um tempo (muito até), passei a questionar sobre essa comemoração de Jesus e reparei que não era pela data - o nascimento simbólico de Jesus -  que me faziam feliz, mas sim pelo rituais, o encontro, as expectativas sobre aquela noite e as histórias que se faziam e se contavam.

Até que começo a saber mais sobre a família (família de sobrenome mesmo) e o Natal passa a ser um incômodo, um desabafo ou só um dia estranho em que todos saem pra comentar no outro dia.

Para o ano-novo nada impediu que eu continuasse a esperar e gostar do dia, que eu continuasse a ser ingênua.

Cada vez foi se tornando um a-mais essa data.

Pensar nas promessas feitas no ano e aquelas a serem cumpridas.

Pensar na roupa nova

Pensar na festa

Pensar nas pessoas....

Criar expectativas de estar lá.

A data, no geral, se tornou uma reunião de pessoas , se distanciando da questão de fé como valores ( mesmo que o início da data tenha relação com religião), se voltando para uma data de avaliação de amadurecimento, estagnação ou qualquer outra coisa sobre aquele corpo, sobre uma sociedade, do um e de nós.

A Cris me deixou curiosa.

A praia de Copacabana também.

Talvez ainda a Astrologia.( sim, já estudei e continuo acreditando na “ciência oculta”).